Tag Archives: Gustavo Gessullo

:: Quem não se lembra do Joãozinho?

19 nov

 

Por RODRIGO VIDAL FERRAZ e GUSTAVO GESSULLO

https://rodrigovf.wordpress.com

19 de novembro 2009

Aquele mesmo das piadas na escola, o malandro, o irônico, o moleque levado que sacaneava a professora, o zelador, o pai, a mãe, as garotinhas e os próprios amigos.

Ah Joãozinho, foi e é o ídolo de muito moleque por aí. O agitador, formador de opinião, corajoso, valente, um guerreiro. Todo mundo o conhece. Foram tantas histórias engraçadas que ninguém jamais esquecerá essa personalidade quase folclórica da nossa cultura.

Pois é, outro dia encontrei o Joãozinho por aí, pela vida. E para minha surpresa, ele não mudou nada! Mais velho, com alguns cabelos brancos, barba por fazer e uns quilos a mais, mas no fundo o mesmo fanfarrão irreverente de sempre.

Depois de muitos anos trabalhando na mercearia do pai, resolveu abrir sua empresa, uma loja no Stand Center na Avenida Paulista. Ele revendia aparelhos de som (roubados) para carros, CDs piratas, DVDs também. Tudo sem nota, afinal quem paga imposto é otário.

Foi numa dessas que conheceu um juiz importante, que arranjou uma vaga como Fiscal da União. Sabe como é, ter contatos na vida é tudo! Aí tudo mudou, casou, teve filhos, comprou uma bela casa com cachorro e piscina. Quer dizer, nem tudo mudou. Afinal, como Fiscal ele fazia mais maracutaias que como dono da lojinha de artigos piratas.

Continuou trabalhando com a pirataria, mas indiretamente, sabe como é, malandro nunca roda. Mas foi preso duas vezes por dirigir embriagado, se livrou porque molhou a mão dos caras e conhecia o tal juiz. Coisas da vida, afinal ele dirige melhor bêbado! Como muita gente por aí. Lei seca é coisa de otário.

Foi então que resolveu entrar para a política, eleito vereador e com a rede de bons contatos, entrou de vez no crime organizado, quero dizer, na briga contra o crime organizado. Está respondendo, em liberdade, à duas CPIs e seu nome está envolvido em outras sujeiras em Brasília, mas afinal é isso aí, político que não rouba não existe, honestidade é para os otários, afinal ele rouba mas faz.

Fez muita coisa, empregou os parentes, alguns amigos, facilita algumas licitações para empresas conhecidas, não cobra caro para desembaraçar mercadorias no Porto de Santos, tem uma “importadora”, uma empresa de “despachantes” e uma lavanderia, de dinheiro, disfarçada de pizzaria, no Brás.

Um trabalhador incansável. Um exemplo de gente obstinada e batalhadora. E quem batalha “de verdade” no Brasil sabe o que o negocio da certo. Joãozinho tinha todo mundo na mão e carta branca pra mandar e desmandar nesta porra de pais. Porque não a Presidência? Joãozinho era a cara do Brasil! Meteu o terno, acendeu o charuto, contratou um publicitário mal-intencionado e estampou a cara nos jornais, revistas e televisão. E o lema era Joãozinho pra Presidente, Brasil pra frente!

E Joãozinho, nunca esqueça, é malandro, sabe o que o povo quer, se fosse mulher tava com o biquíni enfiado no rabo balançando a bunda num programa de TV. Comprou voto, fez aliança, saiu nas ruas com aquele sorriso, fazendo piadas infames, uma alegria que dava gosto de ver. Ia para os debates e, mesmo na Globo, debochava dos concorrentes em rede nacional, chamava o povo junto, batia no peito, chorava, contava da infância pobre e sofrida. Foi eleito com unanimidade, o povo saiu na rua e gritou seu nome, subiu no Planalto como salvador de Pátria.

Mas não adianta meus amigos, o que ele mais quer é continuar a fazer suas piadas de sempre. E o melhor, ou o pior, é que ele continua a fazer piada, em Brasília, de terno, charuto e com a cara cheia de uísque. E viva Joãozinho e viva o Brasil!

***

Veja algumas passagens de nosso ilustre presidente:

Durante o jantar, Joãozinho conversa com a mãe: – Mamãe, porque é que o papai é careca? – Ora, filhinho…. Porque ele tem muitas coisas para pensar e é muito inteligente! – Mas mamãe….então porque é que você tem tanto cabelo? – Cala a boca e come logo esta porra de sopa, menino!

***

Irritado com seus alunos, o professor lançou um desafio. – Aquele que se julgar burro, faça o favor de ficar de pé. Todo mundo continuou sentado. Alguns minutos depois, Joãozinho se levanta. – Quer dizer que você se julga burro? – Perguntou o professor,indignado. – Bem, para dizer a verdade, não! Mas fiquei com pena de ver o senhor aí, em pé, sozinho!!!

***

Joãozinho olhava pelo buraco da fechadura do quarto dos pais quando eles estavam transando. Seu irmãozinho de 5 anos queria saber o que estava acontecendo lá dentro. Respondeu Joãozinho: – É muita sacanagem, e me mandaram para o Psicólogo só porque eu chupava o meu dedinho !!!

***

A tia pergunta ao sobrinho: – Joãozinho o que você quer fazer quando crescer e ficar grandão assim como eu? E o Joãozinho responde: – Eu quero fazer regime…

***

O Joãozinho ( J ) chegou pro pai ( P ) e perguntou: ( J ) Pai, como eu nasci ? ( P ) Eu achei você uma vez que sai pra caçar na floresta… ( J ) E o meu irmãozinho ? ( P ) Ele foi uma experiência mágica que fizeram na barriga da sua mãe.. ( J ) E você ? ( P ) Seu avô achou uma sementinha e cuidou dela, e eu nasci… ( J ) Porra pai, será que ninguém da no couro nessa casa ?

***

:: Carvalho

13 mar

Por GUSTAVO GESSULLO e RODRIGO VIDAL FERRAZ

https://rodrigovf.wordpress.com

13 de março de 2009

Carvalho era um cara decente. Até demais. Dizia que dinheiro nenhum no mundo o corromperia, era um cara acima do bem e do mal. “É uma questão de princípios”, dizia ele. E era fácil acreditar em suas palavras. Estudou direito e jornalismo, era um formador de opinião nato, um orador, palestrava durante horas sem lhe faltar argumentos, com idéias claras, sucintas e coerentes. Não gesticulava, não perdia as estribeiras, não gritava, não ficava nervoso, sempre calmo, relaxado, ponderoso. Muitos diziam que ele era a pessoa mais centrada que conheciam, outros o tomavam como exemplo de profissional, pai de família, amigo e marido.

Uma pessoa realmente acima de qualquer suspeita, criado por pais tradicionais, conservadores e trabalhadores. Freqüentou as melhores escolas e universidades, sempre foi bom aluno, bom moço, bom filho, boa pessoa. Começou a namorar cedo, casou-se e logo teve três filhos. Três lindos filhos. E se doava inteiramente a família, sempre a manteve unida, munia todos da melhor forma possível, sempre presente, sorridente, positivo, participativo e amoroso. E não é que Carvalho ainda tinha tempo para os amigos. Fazia questão de ir em encontros, festas de aniversários, casamentos, formaturas. Carvalho telefonava para todos com freqüência, perguntava como andava a vida, escutava, opinava, incentivava, sem sermoes ou hipocrisia. Carvalho, que sujeito bom!

Carvalho sempre dizia que o problema da humanidade era o próprio ser humano. Nos definia brilhantemente como preguiçosos-gananciosos, dispostos a fazer o mínimo de esforço possível para obter a máxima riqueza imaginável. Dizia que éramos incapazes de amar ao próximo de verdade, pois a vaidade e o orgulho sempre nos impediria de atingir tal plenitude. Usava argumentos incontestáveis, geniais, originais e reais, enfim, Carvalho era diferenciado em meio à multidão que o cercava, um ser iluminado.

Tinha uma veia política muito forte, mas não se “misturava com a corja”, preferia atuar discreta e ativamente em organizações de bairros, escolas, condomínios e ONGs. Passou a vida ajudando os outros, membros da família menos abastados, amigos divorciados, vizinhos falidos, colegas desempregados e todos que precisassem de um advogado, de um ombro amigo ou de um copo d’água. Nunca passou o dinheiro na frente da honestidade, nunca se vendeu, sempre seguiu pelo caminho correto. Seus princípios eram tidos como leis, para ele não havia desculpa; “em caso de dúvida, use o bom senso e faça o bem”.

Carvalho não se conformava com a passividade do povo perante a corrupção do governo, à violência, a impunidade. Custava a acreditar que ainda existiam analfabetos, moradores de rua, pessoas que morriam de fome, devastação da natureza, abuso de poder, bala perdida e filas em hospitais. Carvalho até mesmo chorava perante a tanta tristeza e injustiça “…se todos fizéssemos nosso trabalho direito, não teríamos esses problemas, bando de vadios…” dizia ele inconformado.

E então, numa tarde chuvosa de novembro, Carvalho parte deste mundo com a sensação de dever cumprido. A humanidade perdera um de seus principais protetores, a família perdera o pai, o marido, e os amigos perderam o companheiro. Um dia triste, cinza e frio. A morte, por causa “natural”, já era esperada pela família, afinal Carvalho estava com uma idade avançada e apesar de saudável, esportista, todos sabiam que sua hora chegaria. O difícil agora seria lidar com perda e para muitos isso significava a perda do prumo, da razão, do equilíbrio.

Velório, enterro, tudo como manda o protocolo. Muitas pessoas, choro, risadas e lembranças boas. E Carvalho, mesmo morto, ainda portava um sorriso no rosto, como se dissesse a todos “não fiquem preocupados, estou bem”. Para a missa de sétimo dia a família resolveu fazer um evento mais reservado, assim poderiam ficar mais próximos do santo Carvalho. Na saída da igreja, uma visita inesperada, um rosto jamais visto antes, uma mulher, era bonita, bem vestida, era Guilhermina. “Desculpem incomodá-los nesse momento de dor, mas creio que conheço alguns fatos da vida do Carvalho…”. Paúra geral. O que seria? Algo de ruim? Ou alguma outra benfeitoria, quem sabe anônima, do nosso ilustre defunto. A viúva, sem hesitar, pede a Guilhermina que continue.

Guilhermina então começa a contar: Carvalho era dono de uma boca de fumo da maior favela da cidade, vendia drogas e armas. Gerenciava um bordel para criminosos com a ajuda de Guilhermina, mãe de três meninas, filhas de Carvalho, que alias trabalhavam la. Carvalho, um belo de um safado! Era acusado de mais de trinta assassinatos, estupro, formação de quadrilha, contrabando internacional, estelionato, falsificação de documentos, tortura, sonegação de impostos, tráfico, roubos de metais e pedras preciosas, abuso, desacato e outros delitos mais “leves” (furtos, brigas e espancamentos), palavras de Guilhermina. E assim ela termina: “.., mas ele era um homem bom”.

A mulher de Carvalho, soluçando, exclamava:
“Car…alho, Car…alho, Car…alhooooo”!

Seu irmão mais velho, que era fanho, dizia:
“filho da puta do Car…alho, porra do Car…alho, desgraçado do Car…alhooooo”!

Guilhermina conta:
“Depois da morte dele o movimento do puterinho caiu bem, as minina tao tudo sentindo falta do Car…alho”! e soluçava também.

O padre, vendo o tumulto, pergunta o que houve, o irmão fanho responde:
“Recebemos uma notícia do Car…alho! Safado do Car…alho!”, soluçando sem parar.

E assim os fatos foram se multiplicando. E quem conhecia Carvalho, quando contava o fato a uma outra pessoa, não tinha como não soluçar. “ Você não sabe! O desgraçado do Car…alho…” E o povo, passou a utilizar Car…alho quando expressavam dor, descontentamento, decepção e raiva (merda do Car…alho, que Car…alho, desgraçado do Car…alho). Graças ao bordel, ligaram o nome dele até mesmo ao sexo masculino (sentar no Car…alho, chupar o Car…alho, gostar do Car…alho). E outros, uma pequena minoria, usam com efeito positivo, como por exemplo: “ essa festa está do Car…alho”.

É meus amigos, Carvalho era realmente um sujeito do Caralho!

:: A revolta dos queijos

11 mar

Por GUSTAVO GESSULLO

http://vazao.blogspot.com/

20 de junho de 2007

Foi Mr. Roquefort quem começou a discussão, estava possesso com esta rotulação exagerada em cima do Catupiry. Decidiu convocar uma reunião em sua própria casa, vieram todos: o popular Muzzarela, o entojado do Gruyere, a sofisticada Brie, o esquisito Gorgonzola e seus pequenos fungos, o redneck do Cheddar, o elitista Camembert, o encorpado Parmesão, a natureba da Ricota, o difícil Blue Cheese, o fresco do Gouda, até os populistas Coalho e Minas meio que a contragosto de todos só que politicamente bem-vindos. Questionado pela ausência de queijos como Requeijão e Cream Cheese, Roquefort foi explícito na sua teoria da segregação:

“Olhem bem meus caros, somos queijos, eles não. É questionável até a autenticidade do Catupiry então para este dois aí nem sequer abro discussão. São misturas!” – e fez uma cara de desgosto.

Todos aplaudiram fervorosamente, inclusive Coalho e Minas que antes pensavam não fazer parte deste grupo julgado elitista e tal e o reconhecimento social para eles era algo tão sonhado como fazer parte de um cardápio francês. Após os aplausos cessarem, Camembert, sempre ele, deu seu pitaco final:

“Mas olhem bem meus amigos, há tempos que o Requeijão compete com o Catupiry, quem nunca viu em cardápios de segunda por aí o tal do Requeijão Cremoso? Me pergunto novamente se não devamos o incluir numa próxima reunião. “

Coalho, inoportuno e vulgar como só ele é, brincou:

“Chama o Cremucho também!” – e todos riram.

“Mas e o Polengui?” – questionou o esperto Minas.

“Oras, é só uma criança. Aquele queijo eu não levo a sério.” – finalizou Roquefort.

Quem estava mudo e calado desde o começo era o Cheddar, pois todos ali sabiam do seu flerte descarado com os cardápios populares apesar do status de queijo gringo quando chegou aqui. E ele gostava disso na verdade, Cheddar tinha um pouco da síndrome do seu país de origem, queria dominar o mundo. Via sua popularização com bons olhos e trabalhava arduamente para não sair de cardápios de lanchonetes requintadas que garantiam sua fatia no mercado entre os mais afortunados, pensava nos dois lados da mesa. Cheddar sustentava uma verdadeira tática secreta de guerrilha contra o Catupiry. E é claro, ser visto como alguém que quer o lugar de Catupiry sem dividir o espaço, não seria bem-vindo ali. “São tempos de guerra” – pensava sempre ele “E devo usar minha inteligência soberana nestes países de terceiro mundo acostumados com queijos de quintal”.

Quem não estava contente era Brie. Rolavam boatos de que ela havia se rendido aos encantos do Catupiry e até de que o Polengui era fruto de uma relação proibida entre os dois. Pois bem, a verdade é que Brie sempre flertou com geléias e afins e quando veio ao Brasil se deparou com a deliciosa Goiabada. E todo mundo sabe que somente deliciosa a Goiabada não é, mas também bem safadinha: vai sempre com o Minas, já foi com Queijo Prato, tem momentos com o Coalho e acabou enlouquecidamente apaixonada nos braços do Catupiry, há quem diga até que hoje sinônimo de Romeu na famosa sobremesa Romeu-Julieta, não é mais o Minas. E Brie entrou na onda, conheceu Catupiry de tabela e apesar de raro de se flagrar, os mais afiados como Camembert e Roquefort juram que já pegaram esta proibida mistura em cardápios de pizzarias.

“Vamos começar nossa reunião” – começou Roquefort – “Porque ele, bem ele, conseguiu o mais belo dos triunfos: um produto, um queijo como todos nós, ter seu nome estampado como marca. É no mínimo injusto, não conheço por aí uma marca Roquefort, Camembert, conhecem? Que tipo de favorecimento a sociedade e os investidores vem dando a este tipo de queijo?”

“Nem mesmo eu!” – levantou Muzzarela. “Nem mesmo eu, o mais popular de todos aqui! Estou nas massas, nas pizzas, nos risotos, nos omeletes, nos salgados diversos, misto-quente só existe por minha causa! Venho assim de geração em geração sem perder a pose, sempre no topo, mas aí chega um moleque metido a queijo, este tal de Catupiry, e quer posar de bonitão? Lembrem-se vocês que o Quatro Queijos original não contempla o Catupiry e hoje, ele já desbancou queijos tradicionais como o Parmesão!”

“Tem razão” – pontuou Camembert, invejoso no fundo. “Se existe alguém aqui que merece ser uma marca é você caro Muzzarela, veio com os imigrantes italianos, ajudou a construir este país e cadê o reconhecimento? Do Braz, do Bom Retiro e do Bexiga para todos os bairros em tão pouco tempo, nunca preconceituoso, sempre em qualquer prato, em qualquer classe social. É chique e popular ao mesmo tempo, um ícone, um mito!”

Enquanto Roquefort, Camembert e Muzzarela participavam ativamente, Parmesão estava calado como nunca. E aquilo chamou a atenção dos líderes daquela reunião, porque aquele queijo tão nobre e de presença marcante que sempre teve o merecido respeito e voz ativa estava assim tão calado?

“Parmesão? Parmesão, querido?” – Camembert pediu que Gruyere o cutucasse.

“Oi, estou aqui” – Parmesão levantou-se de sopetão, soltando lascas pelo chão. “Não sou um queijo popular, ou sou?” – e todos concordaram com sua afirmação. “Mas eu queria explanar aqui minha revolta em relação a minha versão ralada.” – fez-se um silêncio monumental pois a versão ralada sempre foi um assunto tabu para o Parmesão, como um filho bastardo. “Nunca fui contra a esta minha singular versão, tão sempre bem apreciada principalmente em massas e risotos e que fez crescer o apreço do povo por este queijo que vos fala. Mas aí veio algum idiota e me joga numa porção barata de polenta frita, vocês se sentiriam como? E de risoto, pulo prum arroz de forno caseiro, isso engrandece um queijo? E viro ingrediente de tortas, jogam-me em batatas fritas oleosas e pegajosas, estou até em versões congeladas de lazanha! E como vocês acham que anda minha auto-estima, hein? Sou um homem sem pátria hoje, ou melhor, sem prato. Vou em tudo, e só minha versão ralada. Para mim, só sobram apreciadores de lascas de parmesão que me lapidam vorazmente. Eu vejo meu nome sendo comercializado como Teixeira, Faixa Azul, quem são eles para me popularizarem assim? Produção em massa de um queijo italiano, má quê?!”

“Parmesão” – interrompeu Gorgonzola. “Com sincero respeito à sua dor, podemos discutir isso mais tarde? A pauta é o Catupiry.”

“Fala isso só porque não podem te ralar e te vender em sacos plásticos, seu miserável!” – Parmesão caiu aos prantos. E chorando, conclui “Já viu em cardápios – Provolone à milanesa? É horrível! Me cortam em pequenos cubos, me fritam todo e depois…(fez uma pausa)…vou à mesa de famintos que só querem sentir o gosto de uma boa fritura, por acaso alguém avisou à eles que não sou um bacon?! (chorava compulsivamente). E me mergulham em maionese e catchups…”

Gorgonzola, arrependido, foi consolá-lo e achou melhor o levar para dar uma volta lá fora. Parmesão estava descontrolado e aquilo poderia gerar uma revolta individual coletiva, que queijo ali não se sentia hoje menosprezado pela sociedade também? Dali para o Gruyere reclamar que andava sendo usado para gratinar batatas seria um pulo. Roquefort tomou a frente e pediu silêncio.

“Queridos, voltemos ao Catupiry.”

“Sim, voltemos a ele” veio o coro geral.

“Outro dia fiquei sabendo de uma coisa que levou a este estopim. E qual foi minha surpresa quando em uma pizzaria refinada dos jardins, é claro, vi estampado no cardápio a logomarca do Catupiry”

“Ohhhhhhhhhhh” – todos estavam espantados.

“Agora é lei amigos! Além de intromissivo, é mesquinho! Para um estabelecimento dizer que tem Catupiry no seu cardápio, deve ter o seu logo impresso no cardápio!”

“É por isso que acho importante a presença do Requeijão, caro amigo Roquefort. É ele o queijo mais prejudicado diretamente, Catupiry fez isso para barrar sua expansão. Todos sabemos que o Requeijão Cremoso é uma pobre mistura entre queijo e leite, gordurosa e opaca, sem a densidade que um queijo cremoso merece, não é Mascarpone? Mas tachá-lo de imitação barata é outra coisa, afinal ele tem vida própria. Ele seria um excelente aliado e dos mais fervorosos!”

“Pouco me lixo com o Requeijão” – Gruyere tomou partido pela 1 vez. “Vocês não enxergam oque está por trás disso? Em menos de 5 anos eu garanto que o Catupiry será um queijo de ordem nobre! A sua esperta tática de imprimir-se em cardápios, banaliza a trajetória ascedente do Requeijão Cremoso, colocando-o de fato num patamar de queijo imprestável, de imitação barata, lhe sobrando o mercado de pizzarias delivery e botecos de esquina. O Catupiry é o 1º queijo marketeiro da história!”

“E oque fazer para impedí-lo?” – berrou Cheddar, devidamente preocupado com o que ouviu.

“Sinceramente não sei” – Gruyere baixou a cabeça.

“É de fato uma atitude previsível” – gritou a Ricota lá do fundo. “Um queijo como você que não é usado para o paladar popular, que só é usado em cardápios caros e em fondues. Você não vive oque vivemos: a banalização de nosso uso fruto. Aliás, eu aponto o dedo para o Roquefort, Camembert e outros aqui nunca foram usados com banana, tapiocas, fritos em pastéis e omeletes, com catchup nas pizzas e em sujas chapas de lanchonetes!”

Ricota sempre dava uma dessas nas reuniões, era revoltada e extremista como toda natureba. Não percebia que ela mesma nunca tinha entrado numa chapa suja e não aceitava o fato de ter virado ingrediente de sobremesa.

“Cale a boca Ricota! Você é mais popular no cheesecake do que sozinha!” – Brie tinha uma rusga com ela.

Ricota era realmente um caso a parte. Nascida para ser apreciada sozinha, no máximo com temperos e em pães e massas, acabou sendo associada a doces italianos como a panacotta, cassarola, osfogliatela ou a doces americanos como o cheesecake. De musa do salgado para musa do doce, perdeu sua identidade. Relutando para estar somente aos cardápios de docerias, acabou se rendendo a buffets vegetarianos, sanduíches naturais, pizzas e comidas sem gosto algum. Pobre Ricota, comparada hoje ao intragável Cottage, que aliás não estava ali por falta de respeito pois foi chamado mas devia estar exercitando seu domínio nos cardápios de academia.

Mais uma vez ele, Gorgonzola, e seus pequenos fungos fizeram à boa ação de retirar a enlouquecida Ricota do recinto, Parmesão reabilitado voltava ao seu lugar. Gorgonzola fazia de tudo par manter esta fama de “sou feinho mas sou bom”

“Pessoal, retomando” – Roquefort apropriou-se da palavra “E tentemos nos focar no Catupiry, por favor” – todos concordaram. “Gruyere tocou num ponto importante aqui, Catupiry objetiva a dominação. Há dez anos atrás, lembro de um papo que tive com o Camembert onde ironizamos um novo recheio que havia sido incorporado nas pizzarias: frango com catupiry. Pensamos isso é besteira, quando um adulto vai querer comer um recheio tão sonso como esse. Mas o fato, as crianças adoraram.

“E adoram!” – berrou o Cheddar meio que desesperado.

“Ele está buscando as novas gerações meus caros. Quem pede hoje recheio de Aliche? E Atum? E Escarola? Só a velha-guarda. As crianças de dez anos atrás hoje são jovens com o Catupiry incorporado em seu paladar, claro que percebem com o tempo que o lugar de frango é na churrascaria, mas o Catupiry os acompanha e eles vão criando novos recheios: calabresa com catupiry é hoje um recheio popstar!

“O sabor Toscana é meu! – gritou Mussarela.

“Era Muzzarella. Calabresa moída hoje vai mais com Catupiry, desculpe a verdade.” – Muzza abaixou a cabeça e assentiu com a afirmação. Não queria escutar aquilo, há tempos percebia que estava sendo trocado, bem ele um acompanhamento tradicional. “O frango é uma isca poderosa para as crianças, é genial, é brilhante! Criança gosta de coisa insossa! É preciso admirar seu adversário acima de tudo!”

“E tem outra” – Gruyere tomou a frente “Quem foi o pioneiro em ir do recheio para a borda?” – todos se entreolharam embasbacados. “Outra tática fantástica! Catupiry invadiu as bordas e virou sinônimo de borda recheada.”

Queijo Prato, tímido como ele só, levantou a mão. “Oi gente!” – E era meio bobo também. “Eu gosto do Catupiry”.

“Seu idiota!” – berrou o insolente Camembert. “Depois reclama que você só entra em tábua de frios! Nem como queijo aperitivo você é visto mais, isso que dá ser um sujeito tão bom assim, tão bom coração”. E era a mais pura verdade, como era dócil e bom aquele Queijo Prato! Tinha potencial para concorrer com a Muzzarela, mas ele era amigo de todo mundo, ingênuo, sem inimigos, quando alguém ficava em dúvida entre ele e a Muzzarela, ele meio que se omitia porque achava que não era bom o bastante. Queijo Prato subestimava si mesmo. A bondade lhe foi um golpe poderoso, virou sinônimo de frios. No começo ainda flertava só com o Peito de Peru, o Lombinho mas quando se envolveu com a Mortadela, foi o estopim para ser considerado um queijo do povo e nada mais. Alguns diziam que era o típico queijo que nasceu para ser pobre e ele era tão bom, mas tão bom, que nem ligava para isso. Queijo Prato só queria amar e ser amado.

Em meio à discussão, as portas da sala de abriram. Mediram os presentes do pé a cabeça, até queijos como Camembert, Roquefort e Gruyere. Eram eles: Tofú, Morbier, Blue Stilton, Pecorino, Ementhal e Manchego.

“A turminha dos descolados.” – sussurou Brie para sua amiga Ricota, que já estava de volta.

“Ficamos sabendo desta reuniãozinha” – disse o folgado Morbier

“Não receberam meu comunicado?” – Roquefort era patético, odiava esta turma do fundo de seu coração e era covarde na frente deles. Mas tinha uma explicação: seu relacionamento com a deliciosa Ementhal, que hoje andava nos braços do forte Pecorino.

“Este tal de Catupiry nos interessa também” – argumentou Tofú, um queijo que irritava a todos. A começar pelo fato que era feito de leite de soja, patético. E por causa disso, se achava versátil e saudável. Mas o fato era que tinha história, foi inventado pelos chineses há mais de dois milênios e nos últimos anos com a onda natureba cresceu e ganhou definitivamente seu espaço no mundo ocidental.

“Volta pro seu Mishoshiro!” – Parmesão exaltou-se. “Você não tá em pizza, não tá em massa, não tá em salgados, muito menos em doces, só te vejo cru, no máximo defumado, e em cardápios orientais. E que gostinho vagabundo é este seu hein! Dá a mão pro Cottage e sai andando!”

O clima esquentou, a Mussarela começou a derreter de raiva também, tinha um ódio mortal do Tofú, que dizia que era a Mussarela do Oriente.

“Parem!” – Coalho, o capial dos queijos, fincou seu palito no chão. “O nosso objetivo não é o tar do Catupiry, oras?”

Ementhal pediu a palavra, antes bisolhou a embalagem da Brie e da Ricota e, sabendo que estava muito mais encorpada, sorriu com desleixo para as duas. “Quem ficou sabendo desta reunião fui eu, nada como embebedar um queijo chucro, não é Minas? Pois bem, viemos aqui pois temos uma sugestão interessante contra esta dominação do Catupiry. Afinal, somos quase todos aqui queijos mundiais e quem é Catupiry no mundo?”

“Tem país aí que anda usando já” – alfinetou Gruyere. A birra de Gruyere era tanta da Ementhal que queria fatiá-la ao meio! Tudo por causa de um pé na bunda que a saborosa Ementhal lhe deu. Bem nele, considerado pelos suíços “o rei de todos os queijos”.

“Mas ele ainda não é nada, querido. Nossa proposta é um jeito de barrar isso de vez: nos unirmos para criar um superqueijo poderoso.”

“Como assim?!” – Cheddar babava de prazer súbito.

“Imaginem um queijo com todas nossas propriedades? Um paladar como nenhum outro, numa mesma mordida você tem a leveza da Brie, a cremosidade do Marcarpone, o refinamento do Camembert, a presença marcante do Parmesão e do Provolone, a brasilidade latente do Coalho e do Minas, a pureza do Queijo Prato, a familiaridade da Mussarela, a boa estranheza do Gorgonzola, o imperialismo do Cheddar, a brusqueza do Blue Cheese…” – e assim foi Ementhal conquistando todos seus ouvintes, um a um, adjetivando-os de forma sublime e irresistível. Quando terminou, estavam todos prontos para qualquer coisa pelo superqueijo.

“Esta nossa superunião, este superqueijo vai ser único e onipresente. Como um queijo insonso e brega como o Catupiry pode competir com algo destes? Vamos acabar com ele!” – se excitou Cheddar.

E então convocaram todos os tipos de queijos deste mundo: Tilsit veio especialmente da Rússia, Saint-paulin pegou o primeiro vôo da França até aqui, o argentino montanhês também apareceu, até o petulante Maasdammer veio da Holanda. Todos contagiados pela idéia de deter Catupiry, de suprimir suas forças cremosas. Ascenderam finalmente a fornalha e entre urros de alegria e esperança, pouco a pouco se derreteram todos formando uma massa uniforme e poderosa.

Enquanto isso na casa do Catupiry…

:: Edivaldo acordou sabendo que ia morrer

11 mar

Por GUSTAVO GESSULLO

http://vazao.blogspot.com/

23 de maio de 2007

Não sabia como nem quando nem mesmo porque, só sabia que a morte viria antes do próximo dia. Ficou ali na cabeceira da cama sem saber oque pensar, sentindo uma mistura de sentimentos e sensações inexplicáveis que só a certeza da morte traz, era uma realidade devastadora.

Decidiu ir ao trabalho, pegar o mesmo ônibus de sempre. Olhava pela janela com saudosismo, tentando se apegar a cada lugar e paisagem, a cada rosto conhecido que o acompanhava todos os dias ponto a ponto, em todos os anos seguindo o mesmo caminho era aquilo que de certa forma lhe dava chão. No escritório deu longos abraços em velhos amigos e colegas sem nenhuma explicação e aproveitou para mandar meia dúzia de babacas tomar no olho do cu. Sonhava com este momento tanto quanto uma promoção. Fez o último almoço naquele kilo amigável, preferiu ir sozinho. Saiu sem avisar ninguém e voltou para casa, não queria morrer na Berrini de jeito nenhum.

Visitou restaurantes, bares e lojas que freqüentava, torrando dinheiro com tudo que via pela frente. Bateu punheta no meio da tarde e desejou morrer logo depois. Tomou alguns tragos, fumou muitos cigarros e pensou sobre a condição humana, ficou triste quando pensou que só fica o cheiro no cinzeiro, a fumaça sempre some, exaurida pelo tempo. Riu de sua asneira filosófica e desejou ter perdido menos tempo tentando fazer papel de babaca.

Visitou parentes, amigos e jantou na casa dos pais, se pudesse decidir morreria ali na frente deles. Ficou lá até tarde esperando que a morte lhe desse este último desejo. Chorou quando saiu pela porta, mas nada melodramático ou romântico, apenas chorou de si mesmo e de sua condição, um ato solitário e previsível.

Quando voltou para casa, colocou o pijama mais confortável, ligou a TV e sentou esperando. E quando percebeu que o dia não lhe daria aquele presente, apertou o gatilho e estourou os miolos na parede.

:: Motta

6 mar

Por GUSTAVO GESSULLO

http://vazao.blogspot.com/

11 de agosto de 2007

UMA HISTÓRIA DE JOHN THE SMOKING GUN

Motta era um bom parceiro de trabalho, tinha um jeito seco e rápido muito parecido com o meu. Só fazia trabalhos em dupla e eu fui seu escolhido nos últimos 30 anos. Saímos do Star 69 com o dossiê e sentamos num café da Rua Augusta para acertar alguns detalhes. “Com qual você quer ficar?” Respondi que não tinha preferência, que escolher para mim era um jeito de se apegar. “Fazemos assim, você fica com o garoto e eu com a bonitinha. Que tal?”. Assenti um pouco contrariado pois imaginava outras intenções ali, mas um sujeito como ele não chegaria a nenhum limite, só o frenesi que sentia de estar a sós com uma mulher lhe fazia gozar nas calças.

Era um puto velho, bem mais velho do que eu e um puto velho não vacila. “Me parece um trabalho simples, os dois se hospedam no mesmo hotel e em quartos separados. Metem pela tarde inteira no quarto dele e antes das 18h já estão de volta aos seus quartos para lavarem o cheiro do adultério no chuveiro e jogarem a culpa ralo abaixo. Os dois saem sempre e pontualmente as 19h”. Motta concordou comigo e olhou para o relógio “15h agora John, devem estar se acabando de meter ainda. Que horas lá?” “Às 17h em ponto no lobby do motel, subimos cada um com sua puta em quartos separados no andar dos alvos. O cara sempre se hospeda no 510 e ela, no 610. Um andar de diferença, mesma saída da varanda. Acabou, mete a cara pra fora da janela e escancara o seu sinal. Te encontro logo depois no Star 69, tenho um novo teste cego para você amigo.”

Liguei para Sofia e acertei os detalhes, costumo pagar 300 pela parte teatral e o resto é sempre gorjeta. Voltei pra casa, almocei e acertei outros trabalhos para a semana. Às 16h40, peguei Sofia no flat dela e pontualmente lá estava Motta e sua loira. Ele batia nas casa dos 60, ela nos 40 e vestida como dona casa pareciam um casal adúltero normal. Eu odiava disfarces e Sofia sempre parecia uma puta, de taieur ou de mini-saia. Motta e a loira subiram primeiro, pro 6º andar, e nós fomos em seguida pro 5º. “Quer brincar antes de apertar o gatilho matador?” Não resisti e pedi uma chupeta.

As 18h30, vesti minhas roupas, paguei Sofia e combinei de ela ficar ali naquele quarto, imutável e calada, até o dia amanhecer. A polícia já tinha a ficha de puta das duas registrada e nós éramos apenas clientes que no meio da tarde voltamos para casa e para nossas famílias, clientes anônimos, fantasmas. Entrei no 510 sorrateiramente e imaginei Motta fazendo o mesmo, na minha cabeça imaginava uma sincronidade perfeita, como dois dançarinos da morte, bobeiras que assimilei de filmes B americanos. O rapaz estava de toalhas, agachado em frente à cama e colocando as meias, quando sentiu minha presença. Virou e esboçou uma reação, mas o cano da arma já estava encostada na testa. “Tarde demais”, soltei e apertei o gatilho.

O corpo despencou na cama e a toalha se abriu mostrando o longo pênis esfolado e avermelhado, tinha morrido pelo menos satisfeito o filho da puta. Acendi um cigarro na varanda e aguardei alguns minutos, mas o sinal não vinha. Foi então que a bonitinha me aparece gritando pelada e maluca no estacionamento, correndo em zigue-zague. Desci pelas escadas de emergência, passei pela recepção já abandonada e sai em direção à rua.

Já se passavam 40 minutos e nada do Motta aparecer. Minha gastrite dava pontadas violentas de tanto nervosismo, montei e remontei inúmeros cenários na minha cabeça para o que havia acontecido e quanto mais passava o tempo mais certeza eu tinha que Motta estava morto.

“Como morto John?”, o barman viu Motta escapar de tantas histórias que não acreditava num final assim tão infeliz para o puto velho. “Morto. Não sei como aconteceu, mas Motta está morto”. “E como tem tanta certeza?” “O cara nunca deixou de dar o sinal dele em 30 anos de trabalho juntos, você conhece a lenda, não? Se alguma coisa falhasse e eu conto nos dedos, mesmo assim vinha o sinal.

Motta era um bebedor nato desde os 11 anos e se tornou com o tempo um mestre cervejeiro. Era o rei do teste cego, reconhecia qualquer marca de cerveja, nacional ou importada. Não sabia dizer se era Pilsen, Stout, Weiss, só sabia a marca. Se nunca antes havia tomado uma Guiness, por exemplo, no próximo teste cego já dizia de cara sem hesitar, impressionante. E um dia ele contou o seu segredo. Motta tinha uma maneira peculiar de descobrir a marca, não se atinha ao lúpulo, a água, a textura e outras frescuras tolas, Motta reconhecia através de um simples arroto interno após cada gole.

Para ele, cada marca tinha um sabor de arroto, dizia que uma ou outra podiam ser confundidas de vez em quando, mas raramente errava. Contestei dizendo que o arroto interno era um método falho, pois o sabor do arroto seria uma combinação do gás que a cerveja produzia com o que mais tinha dentro do estômago. Portanto, se estivesse bebendo Brahma pela primeira vez com calabreza, o arroto seria diferente da Brahma com frango a passarinho. ‘Você descobriu o verdadeiro segredo John. Mas não se preocupe, eu só tomo cerveja comendo amendoim”. O arroto sempre foi seu fiel companheiro em tudo. Motta era uma figura rara e divertida.

Ricardo “Canhão” Motta, matador profissional falecido que ganhou o apelido do meio pelos arrotos vorazes e escancarados que soltava sempre depois de apertar o gatilho. Não era sinônimo de missão cumprida, era sinal de que ele estava vivo porra!