Por GUILHERME CRUZ e RODRIGO VIDAL FERRAZ
http://rodrigovf.wordpress.com
9 de abril de 2009
Vamos ao primeiro texto das quintas-feiras! Uma discussão sobre um mito muito pouco esclarecido entre os leigos do mundo da enologia.
O nome do texto pode até sugerir algo diferente em sua mente, mas se trata dos vinhos com tampa de rosca e não com a famosa rolha de cortiça.
Esse é o segundo texto criado pelo Guilherme que será publicado neste blog, se você não viu o primeiro, clique aqui. Se você já leu o outro texto, então relaxe, dê um belo gole no seu vinho e leia com atenção.
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“Meu caro amigo Vidal, muitas pessoas com as quais converso sobre o tema vinho, perguntam minha opinião sobre os vinhos que são fechados com ‘tampinha de rosca de alumínio’.
Depois de ler muitas matérias a respeito e tomar alguns vinhos com tampa, cheguei a conclusão que os vinhos novos, que são feitos para consumir em pouco tempo, o sabor do vinho realmente não se altera.
Agora, para os vinhos de guarda, aqueles que podem durar mais de trinta anos, os resultados da tampinha de alumínio ainda não foram completamente verificados. Além do que, os produtores ainda não vendem estes vinhos mais raros e caros com a tampinha de rosca.
No ano passado foi aberto na Borgonha, França, um vinho branco que foi fechado dezessete anos atrás com a tampa de rosca de alumínio. Foi atestado que o vinho estava em perfeito estado, mas o mesmo vinho que havia sido fechado com rolha, já havia sofrido efeitos da oxidação pela penetração de oxigênio durante esse mesmo período, o que é normal, aceitável e muitas vezes até melhora o vinho.
Para chegar a uma opinião própria, dou a sugestão às pessoas que provem os vinhos que são fechados com tampa de rosca, principalmente os vinhos do novo mundo, Austrália, Nova Zelândia, Chile e Africa do Sul. Os produtores da Califórnia ainda relutam em usar, mas todos os outros mostram bons exemplos de ótimos vinhos que utilizam a tampa de rosca.
Uma boa oportunidade para o julgamento deste mérito é o vinho Oyster Bay Merlot 2007, Hawkes Bay, Nova Zelândia, (na SAQ CAD 19,70, em promoção por CAD 17,70). Para os que gostam de ir mais fundo, clique aqui para ver as especificações técnicas.

O vinho tem as características de um grande Merlot, uma cor vermelho brilhante intensa, que parece querer mostrar todas as suas propriedades já na aparência.
Os aromas são vivos, de frutas vermelho-escuras, maduras, frescas e ainda úmidas s (cerejas, amoras e blueberries), com uma acidez fechada querendo explodir, mas doce, e estes aromas se suavizam, da primeira taça até o último gole da garrafa.
Já no paladar o vinho traz uma experiência muito agradável, uma suavidade sedosa que surpreende pela intensidade sem a agressividade dos aromas. Os taninos do vinho são tão confortáveis que permitem que o vinho permaneça no paladar por um longo tempo antes de ser absorvido.
O vinho traz tanto nos aromas quanto no paladar os traços de seu envelhecimento em carvalho francês, com um leve toque de madeira, especiarias e baunilha em na percepção final.
A safra 2007 se caracteriza pela intensidade do clima durante aquele ano, calor intenso, altas temperaturas e pouca precipitação, permitindo assim que os sabores e aromas sejam mais característicos. Frescor, fruta e seda, em resumo.
E o que comer? Carnes e massas?
Não! Comer ‘A CARNE’.
Dê uma chance à verdadeira experiência Neozelandesa. Experimente o vinho com carne de cordeiro, o “Carré”, a costelinha de cordeiro da Nova Zelândia, que é encontrada em quase todo o mundo. Pergunte em sua casa de carnes habitual, se eles não comercializarem, certamente eles podem indicar onde encontrar. Ou você pode levar a garrafa ao seu restaurante preferido.
No Brasil, e também no exterior, o Fogo de Chão faz um excelente “Carré” Neozelandês, já em Montreal, o Moishes. Se você quiser fazer em casa, pode encontrar na Casa de Carnes Três Américas, Rua Otávio Tarquínio de Souza, 264, Campo Belo, São Paulo. Em Montreal no nosso querido Alim Pôt, 20 Roy St. E., Plateau Mount-Royal.”

“Sal, pimenta do reino fresca, forno, tempo e pronto. Eu prefiro mal passada, 20 minutos de forno à 200 graus centígrados, fogo médio alto. De 30 a 35 minutos ao ponto, e a partir de 40 minutos, está bem passada, mas aí fica um pouco dura.
Claro, além da carne, vegetais grelhados e ou puré de batatas, mas evite a fritura, para minimizar a mistura das gorduras. Os vegetais podem ser assados junto com a carne, como abobrinha, tomate, berinjela, pimentão, alho, cebola e ervas, folhas de louro, alecrim, manjericão, tomilho e azeite, famoso Ratatouille.”

“Um molho de hortelã com a carne vai muito bem. O vinho é um pouco mais forte que os pratos, mas harmoniza e ‘lava’ o paladar vagarosamente, num prazer duradouro. É um vinho que faz pais e filhos compartilharem as mesmas opiniões.
Bon appétit!”