Texto de Millôr Fernandes
Imaginem que o cachorro grandão, policial, estava descansando de um acesso de raiva, exatamente junto dos trilhos da estrada de ferro.
O rabo sobre o trilho, assim. Roncando, o cachorro. Eis que o trem se aproxima. Suspense – o trem que se aproxima é um trem de carga, vem bem lento. Tchoique, tchoique – tchoique, tchoique. O cachorro vai ou não acordar?
Ai, acho que não vai não! Lá vem o trem, cachorro, acorda, bicho! Deus!, o cachorro não acorda e o trem de carga, lento, fuque, fuque, fuque, passa em cima do rabo dele, corta- o. Agora, sim, o cachorro acorda com um uivo de dor e, num salto de ódio, corre contra a máquina, tentando se vingar da mutilação.
Resultação: o trem lhe passa em cima da cabeça e mata-o definitivamente.
MORAL: JAMAIS PERCA A CABEÇA POR CAUSA DE UM RABO.







